PASTORAL DA ASSISTÊNCIA

Coordenador(es) paroquial: Solomar


A prática da assistência por parte da Igreja Católica tem suas raízes fundadas em um contexto histórico anterior ao período do surgimento do modo de produção capitalista. A título de exemplo, citamos o sermão de São Martinho de Braga, do ano de 579 Esse arrependimento só é verdadeiro quando o homem deixa de fazer o mal que fez e pede indulgência relativamente aos pecados passados e procura não os repetir no futuro, mas pelo contrário, pratica boas ações, como por exemplo, distribuir esmolas aos pobres que têm fome, abrigar o viajante fatigado, fazer ao outro o que quer que lhe façam a si mesmo e não fazer aquilo que não quer que lhe façam, porque nestas palavras estão contidos os mandamentos de Deus... No entanto, essa instituição, antes detentora de um notável poder político, ao longo dos séculos XVIII e XIX perdeu seu espaço e importância frente à secularização da sociedade e às tensões existentes entre ela e o Estado, e foi com perspectiva de reerguer-se que adotou uma postura mais ativa diante dos problemas sociais. Encarados como uma questão moral e religiosa, eram tratados a partir dos princípios e diretrizes da ética cristã, de caridade, amor ao próximo e solidariedade para com os necessitados.

A Encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891 pelo Papa Leão XIII, foi a primeira encíclica social da Igreja, cujo objetivo principal era destacar a exploração do trabalhador pelos detentores dos meios de produção, sugerindo a união entre as classes para minorar esta situação.

As ações da Igreja (no sentido de intervenção na realidade social) perduram no tempo e hoje se configuram entre outras ações nas pastorais sociais. Em Londrina, as atividades da Igreja, principalmente aquelas referentes a área social, se intensificaram com a indicação do padre Geraldo Fernandes para Bispo do município no ano de 1957: Já logo após sua posse, D. Geraldo fundou também da elite feminina da cidade a Associação das “Damas da Caridade” cuja primeira reunião ele mesmo presidiu. Além de certas obras particulares, como a creche de Santa Rita e Lar Santo Antônio...(PROBST:1975, 59).

A partir de incentivos de D. Geraldo junto aos católicos londrinenses, houve um aumento do número de participantes na Sociedade de São Vicente de Paulo, também chamados a participarem do combate à pobreza. Tal fato era justificado pela aceleração do processo de desenvolvimento econômico ocorrido durante a década de 50, com o grande crescimento demográfico e suas conseqüências, como o aumento do desemprego entre os trabalhadores que aqui chegavam e não encontravam emprego, falta de moradia para todos, de saúde, de educação (SILVA, 1999).

É importante observar que essa atuação tinha como pressuposto a concepção cristã de caridade, bondade e a compaixão com aquele que se encontra em situação de extrema pobreza, em especial as crianças abandonadas, os mendigos, doentes, deficientes físicos e mentais, procurando demonstrar uma nobreza de caráter e espírito nobre. De acordo com o "Decreto sobre a atividade missionária da Igreja" (1966:19) a caridade deve ser entendida da seguinte forma:

A caridade cristã a todos se estende sem distinção de raça, de condição social ou de religião. Ela não espera vantagem alguma ou gratidão. Foi com amor gratuito que Deus nos amou. Assim também os fiéis por sua caridade mostrem-se solícitos por todos os homens, amando-os naquele mesmo afeto que levou Deus a procurar o homem. À imitação de Cristo que percorria todas as cidades e aldeias, curando toda doença e enfermidade em sinal da vinda do Reino de Deus (cf. 9,35ss; At 10,38), a Igreja por seus filhos se liga aos homens de qualquer condição e particularmente aos pobres e aflitos, dedicando-se a eles prazerosamente (cf.2 Cor 12,15). Compartilha de suas alegrias e dores, conhece as aspirações e problemas na vida e compadecesse deles nas angústias da morte. Em diálogo fraterno deseja responder aos que buscam a paz, oferecendo-lhe a paz e a luz do evangelho.

A prática da caridade é verificada na sociedade brasileira desde o período colonial, sendo que nesta época o "senhor" deveria cuidar de seus empregados, escravos e agregados em troca de sua força de trabalho e de sua lealdade. Atualmente, essa prática se configura como uma relação de troca entre os políticos e eleitores. Uma outra condição se refere ao merecimento daquele que deve ser o alvo dessa caridade, ou seja, a necessidade de que o "assistido" tenha um comportamento de acordo com as normas da instituição que presta ajuda, vale dizer obediência às regras estabelecidas e não reclamar do serviço.

 Sendo a caridade a base da ação assistencial voluntária, é com esse espírito que se presta auxílio material àqueles que nada possuem. Deve-se destacar que muitas dessas entidades filantrópicas acabaram institucionalizando-se, formulando estatutos, adotando normas e critérios para o atendimento, em busca de recursos da comunidade e do Estado, com doações e isenções de impostos, a fim de ampliar seus serviços.

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