MARTINHAS

Coordenador(es) paroquial: Andreia


Seu principal papel é participar diretamente da acolhida.

1. A acolhida é das dimensões mais importantes da vida. Em termos de pastoral se fala muito no assunto em nossos dias. Vemos pessoas à porta das igrejas, com algum sinal distintivo, distribuindo folhetos da liturgia da missa e folhas de canto e dando boas vindas aos que chegam. Ouvimos falar de “pastoral da acolhida”. Queremos que os que chegam para a missa sintam que são bem recebidos. Verdade que alguns dos que chegam evitam a porta em que estão os agentes de pastoral. Não querem se dar a conhecer. Muitos católicos que praticam não querem envolvimento com a paróquia e evitam todo contato mais personalizado. Há os que assim agem porque dizem terem tido muitas decepções com os “donos” das pastorais das paróquias.

2. Não podemos limitar a “pastoral da acolhida” a essa recepção à porta da igreja nos dias de domingo. O bom acolhimento precisa ser uma nota que estará presente em todos os setores de atividades de uma comunidade cristã. Trata-se de uma mentalidade a ser instaurada na comunidade eclesial. Não podemos deixar de reagir contra uma “filosofia” da indiferença, do salves-se-quem puder, ou então de uma tomada de distância daquilo que nos parece o “diferente”. Trata-se de acolher o mundo dos outros e de todos os outros. Poder-se-á dizer que essa preocupação pelo acolhimento tem tudo a ver com uma mentalidade de hospitalidade.

3. Há toda sorte de acolhida e, forçosamente, de seu oposto. Há a acolhida de um filho que chega. Este, antes de seu nascimento, já ocupa um lugar na vida do pai e da mãe. Não se prepara somente seu berço e todos os balangandãs do quarto, mas sobretudo os espaços do coração: fidelidade, dedicação, compromisso. Essa acolhida do filho vai se manifestar numa decisão de não tirar os olhos do filho. Há a acolhida do marido e da mulher na sua diferença. Há o acolhimento da família dele e da família dela.

4. Há a acolhida dos fiéis na secretaria de uma paróquia. O funcionário da secretaria precisa estar a par de horários das atividades, dos dias e de como se faz a preparação para o batismo, das taxas que são fixadas para determinados serviços paroquiais. Tudo isso é importante. Mais importante do que tudo é saber acolher o mistério de cada pessoa, os dramas que trazem, as esperanças que nutrem ou que vieram a perder. Junto com essa atenção respeitosa no tom da voz, e no olhar, há no ar a certeza de que ninguém olhou para ninguém burocraticamente. Nas coisas da Igreja não existe “burocracia”. Muitas de nossas secretarias paroquiais viraram apenas locais de serviços burocráticos sem jeito de serem abrigos para os que caem na estrada, nem sala dos que sonham atingir os píncaros da santidade.

5. Nesse contexto, vale lembrar a figura do sacerdote e do religioso que animam uma comunidade ou algum movimento espiritual. Meu Deus, quanta ocasião de acolhida, mesmo sendo segunda-feira… Por vezes temos a impressão que muitos sacerdotes e religiosos estão sempre em reunião e não podem, naquele momento, atender aos que chegam, escutar um fiapo de voz de alguém que perdeu um filho, que está para separar ou que perdeu definitivamente a vontade de viver.

6. A dimensão do acolhimento, como já sugerimos, deverá estar presente em todos os espaços de pastoral. Não existe catequese de crianças, jovens e adultos sem essa atenção às histórias que são vividas pelas pessoas que vão chegando: uma empregada doméstica, um balconista, uma pessoa que mora sozinha. As crianças e os jovens, precisamente na acolhida inicial dos encontros, sentir-se-ão queridos. Quantas crianças e jovens que, em suas casas, carecem do olhar carinhoso do pai e da mãe.

7. Há todo um cuidado na acolhida de pessoas que vivem, no seio da Igreja, uma situação peculiar. Não se trata de faltar com a verdade, mas de agir com delicadeza de amor. O amor sempre se faz na verdade. Pensamos aqui, de modo particular, naqueles que devido a diferentes razões se separaram de um cônjuge com o qual haviam contraído o sacramento do matrimônio. Os recasados continuam membros da Igreja embora devido à sua situação não possam receber o sacramento da Eucaristia. Ele serão acolhidos como membros da Igreja, os filhos de uma segunda união poderão receber o sacramento do batismo e, posteriormente, da eucaristia. Tais católicos não serão discriminados.

8. Pensamos hoje num empenho sério de muitos cristãos bem como de pessoas de boa vontade de outros credos que buscam se acolherem mutuamente. Não é mais tempo de ataques e de discriminações. Há todo um empenho sério no encontro das religiões e na busca comum da verdade. Não queremos com aquilo que nos é particular impedir a união de todos os homens e mulheres de boa vontade. Isso não quer dizer que venhamos a fazer um ecumenismo fácil e sem profundidade.

9. Nos tempos atuais vemos crescer um respeito por pessoas que fizeram a opção de viverem com pessoas do mesmo sexo um tipo de união estável. Todo um sereno empenho de acolhimento de tantos e tantas que fazem esta opção será expressão de verdadeiro bem-querer.

10. As poucas considerações que acabamos de fazer mostram como é amplo o tema da acolhida e do acolhimento em nossa vida familiar e eclesial. Organizar uma Pastoral da Acolhida é bem mais do que escalar algumas pessoas para entregar um folheto de missa, o boletim paroquial ou envelope da coleta da campanha da fraternidade.

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